terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O que é que teve na Marcha das Vadias de Salvador?

Foto: Tainan Mattos

Por Rafaela Medeiros e Larissa Meira

E lá vem elas de novo, as “vadias”! Foi em meio as fanfarras e cantando “A nossa luta é por respeito, mulher não é só bunda e peito”, que mulheres, homens e travestis se mobilizaram para pedir respeito, mostrar que são donas do seu próprio corpo e protestar contra a violência sexual. Era a Marcha das Vadias que acontecia em mais uma cidade brasileira, Salvador.

A data escolhida para protestar não poderia ser mais propícia, 02 de Julho, dia da Independência da Bahia. O movimento que acompanhou o percurso dos festejos começou com algumas pessoas e foi ganhando adeptos ao longo da caminhada, mostrando para que vieram com cartazes e frases de efeitos, chamando a atenção de todos que passavam pela região.

A Marcha da Vadias é um movimento iniciado em Toronto, no Canadá, em Maio de 2011, para protestar contra a agressão sexual e contra a declaração dada por um policial que em uma palestra sobre segurança num campus universitário, disse que as estudantes deveriam evitar se vestir como vagabundas para não serem vítimas de estupro. Este argumento usado pelo policial gerou o movimento que já aconteceu em vários países, inclusive no Brasil.

Para a paraibana Lila, que veio dar apoio ao movimento, “não existe nenhuma mulher imune à violência machista, a roupa é só uma desculpa. Até mesmo as freiras estão vulneráveis à violência sexual”. E este tipo de atitude se deve a uma mentalidade machista de que o homem pode possuir o corpo das mulheres.

Mas se engana quem acha que apenas mulheres protestavam por mais respeito. Haviam gays e transexuais dando apoio e pedindo pelo fim da homofobia. A transexual, artista e capoeirista, “Porreta da Mata Escura”, resolveu usar a manifestação para desabafar, já que desde criança é vítima de preconceito pela opção sexual pois, segundo ela, “a violência está muito grande e temos que mostrar que os direitos são iguais para todos os seres humanos” e conclui perguntando: “Por que a gente não pode viver em liberdade?”.

No melhor estilo PAGU, composição de Rita Lee e Zélia Duncan, as meninas incorporaram o trecho da música que diz “Não sou freira, nem sou puta”, e foram reprimir o machismo.

Apesar das diferentes opiniões do público, quem estava de fora, reconheceu que este é um passo importante para mais uma das conquistas femininas. Para o estudante André, não só as mulheres, mas os homens, companheiros dessas mulheres, devem também protestar. “É fundamental que sejam feitas essas manifestações porque, infelizmente, a sociedade brasileira ainda é extremamente machista, patriarcal”, disse.
Além da Marcha o desfile de 2 de Julho foi marcado por diversas outras manifestações, como a dos jornalistas, professores, contra a usina de Belo Monte, entre outras.

0 comentários:

Postar um comentário

 
© Copyright 2035 Andei fazendo por ai...
Theme by Yusuf Fikri